O Sete de Setembro chegou a quatro anos sem vencer uma partida oficial após perder por 1 a 0 para o Guarany de Camaragibe. O resultado ampliou a sequência negativa do clube de Garanhuns.
A marca supera o período sem vitórias que pertenceu ao Íbis, adversário do Sete na última rodada da primeira fase do Campeonato Pernambucano 2026/2027. Enquanto o Lobo-Guará foi eliminado, o Pássaro Preto já havia garantido vaga nas oitavas de final.
O clube também enfrenta dificuldades para atuar em Garanhuns: o Estádio Gigante do Agreste não tem condições de receber partidas profissionais. No estadual, o Sete mandou jogos no Arruda, no Recife, sem público.

Além do desempenho esportivo, a situação envolve impasses sobre a recuperação do estádio e problemas financeiros e administrativos. Em agosto, o Sete encaminhou documentos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Garanhuns para discutir alternativas para o Gigante do Agreste.
Jejum de vitórias e campanha no Campeonato Pernambucano
O gol que definiu a derrota para o Guarany de Camaragibe saiu aos 35 minutos do segundo tempo, em cobrança de pênalti de Jamyson. A partida foi disputada no Estádio Paulo Petribu, em Carpina, pela quarta rodada do Campeonato Pernambucano 2026/2027.
A última vitória profissional do Sete de Setembro havia ocorrido em 29 de setembro de 2022, quando o time venceu o Santa Fé por 2 a 0, pela Série A2 do estadual. Na Série A3 de 2024, o clube terminou sem triunfos, com dois empates e cinco derrotas, e ficou na última posição do grupo.
O período sem vitórias do Lobo-Guará também ultrapassou o recorde que marcou a história do Íbis: entre julho de 1980 e junho de 1984, o clube somou 55 partidas sem ganhar, com 48 derrotas e sete empates. Foram três anos, 11 meses e 26 dias de jejum, marca que levou o Pássaro Preto ao Guinness World Records.
Entre os jogadores que defenderam o Sete no estadual estavam o goleiro Igor Leonardo, ex-Central, e Juninho Carpina, Miro e Leo Mago, formados na base do Náutico, além de Victor Vellaske, da base do Santa Cruz. A parceria anunciada em setembro previa atletas do elenco profissional coral sem utilização e jogadores da base, mas o Sub-20 do Santa permaneceu envolvido na Copa do Brasil da categoria e não foi cedido.
Impasse para recuperar o Estádio Gigante do Agreste
Uma proposta da Facilnet, estreante no Campeonato Pernambucano, previa uma parceria para revitalizar o Gigante do Agreste. O projeto, porém, não avançou, e o Sete de Setembro continuou sem uma solução para recuperar o estádio de Garanhuns.
Em maio, o presidente Juscelino Soares afirmou que o contrato havia sido elaborado e discutido com o Conselho Deliberativo. Segundo o dirigente, pendências documentais e divergências internas impediram a conclusão do acordo, e o clube não tinha recursos para bancar sozinho a recuperação da praça esportiva.
O secretário do Conselho Deliberativo, Robério Queiroz, contestou a versão de que o órgão teria sido contrário à parceria. Ele disse que as divergências envolviam cláusulas que, em sua avaliação, poderiam prejudicar o Sete, e apontou a regularização da ata de 2020, pendente no cartório, como necessária para registrar a ata de 2025.
Em agosto, o clube encaminhou documentos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Garanhuns para abrir uma discussão sobre a municipalização do estádio. Em nota assinada por Juscelino Soares, a direção declarou estar “aberta ao diálogo e disposta a colaborar” na busca por alternativas para preservar o patrimônio esportivo e permitir o uso do espaço pela população.
Execução fiscal e dificuldades financeiras do Sete de Setembro
Informações publicadas em agosto pelo Blog do Carlos Eugênio apontaram que a Prefeitura de Garanhuns move uma execução fiscal contra o Sete de Setembro. Iniciada em dezembro de 2023, a ação cobra R$ 204.985,12 em débitos de IPTU e Taxa de Limpeza Urbana referentes aos exercícios de 2018 a 2021.
O processo prevê a possibilidade de penhora de bens do clube, entre eles o Estádio Gigante do Agreste. Na ocasião, o vice-presidente Marcelo Neves afirmou que Juscelino Soares não tinha conhecimento da ação.
A reportagem informou que uma audiência de conciliação não terminou em acordo porque o Sete ainda não havia sido devidamente citado. O impasse judicial se soma às dificuldades financeiras e documentais que também interferiram nas tentativas de encaminhar a recuperação do estádio.


